quinta-feira, 1 de junho de 2017

Cantaria - A arte de trabalhar as pedras

A "Cantaria" é a arte de construção com pedras, uma prática muito antiga qual foi utilizada por diversos povos da antiguidade como os Egipcios na construção das piramides, os gregos em Acrópoles e até mesmo os Incas em Machu Pichu e os Maias em Chichén Itzá.


 


O termo tem origem no latim canthus. O vocábulo "canto", com o significado à época pré-romana de "pedra grande", que consiste na pedra aparelhada para formar o ângulo de uma construção. Daí sua ampla utilização nos cunhais ou esquinas das edificações, arrematando o encontro de duas paredes.


 





O Canteiro ou Cantel é o oficial que escolhe, corta, desbasta e aparelha as pedras para a construção que irão constituir a cantaria.


 


 



 



 



A Cantaria nas Minas de Paranapanema




Durante a mineração colonial a cantaria foi empregada nas obras de desvio de rios construções de barragens, aquedutos, trazida pelos portugueses no século XVIII


Normalmente a pedra mais utilizada eram os fraturados blocos de diabásio, bastante comum nos ribeirões onde eram feita a exploração do ouro.


 



 


 



 


 


 


 


Influência nas construções da região






O uso das pedras como material de construção teve uma grande influência nas construções de várias edificações do Parque Estadual Intervales, entre elas as pousadas Esquilo e Onça-pintada, o castelo de pedra e o altar do morro do cruzeiro.


 


 


 




Pousada Onça-pintada


 




Pousada Esquilo


 




Castelo de Pedra


 




Pousada Esquilo


 


 

segunda-feira, 31 de março de 2014

A descoberta das Minas do Paranapanema

A descoberta do ouro na nossa região aconteceu no começo do século XVIII, por Miguel de Barros e João Fernandes Távora ambos da Vila de Sorocaba, embora ja havia relatos de exploração de ouro no fim do século XVII, no Vale do Ribeira, mais precisamente em Iporanga e Ivaporunduva ambos locais estão localizados as margens do Rio Ribeira de Iguape, o que possivelmente facilitou a entrada por embarcações, ao invés de desbravar as florestas montanhosas das nascentes do Rio Paranapanema.


Em carta ao El-Rei de Portugal Dom João V, datada de 26 de Novembro de 1717, o ouvidor-geral de São Paulo Raphael Pires Pardinho menciona o seguinte acontecimento: 


"a 21 do dito mês lhe mandara dar parte Miguel de Barros, morador na vila de Sorocaba, que indo com João Fernandes Tavora às cabeceiras do rio Paranapanema, nelas descobrira algumas faisqueiras de ouro e que a amostra enviada, examinada pelos práticos de Minas Gerais, foi considerada igual ao ouro do Ribeirão do Carmo."

Pardinho encaminhou a mesma mensagem ao Conde de Assumar, repondendo-lhe em carta datada da vila de São José, a 1 de Agosto de 1719, mas foi o Governador Geral da Capitânia de São Paulo Rodrigo Cézar de Menezes quem realmente deu importância a esses descobrimentos.

Segundo alguns documentos da época, apontam  João Quaresma de Almeida, Domingos Vicente Luiz, Antonio da Cunha de Abreu e João Coelho Duarte como novos descobridores de ouro na região. 

Domingos Vicente Luiz foi nomeado guarda-mór, em 1724, substituído por João Quaresma de Almeida, Diogo de Toledo Lara foi nomeado como Capitão-mór Regente em 1725 mais tarde substituído por Antonio Camargo Ortiz, (considerado homem violento e rigoroso), que em 1727 foi sucedido por Antonio da Cunha de Abreu, deixando o cargo no ano seguinte, passando-se para São Paulo, onde foi eleito Juiz ordinário  e posteriormente nomeado provedor do registro de Mogi do Campo, em 1733 nas Minas de Goias, cargo exercido por muitos anos. 

Em 1728 Bernardo Antunes de Moura foi nomeado Capitão-mór Regente, substituído pelo português João Coelho Duarte, qual havia vindo das Minas Gerais com muitos escravos, essa patente foi passada pelo Governador Geral da Capitânia de São Paulo Antonio da Silva Caldeira Pimentel, durante sua estadia no Arraial das Minas do Paranapanema (antigo Arraial Velho). (Fonte IHGB).



Minas do Paranapanema 

Histórico de Ribeirão Grande

Assim que possível estarei postando alguns dados importantes a respeito da história de Ribeirão Grande, no momento segue uma foto do centro da cidade tirada na decada de 40.


Ribeirão Grande década de 40 (IGC)


domingo, 30 de março de 2014

Roteiro para visitação

É possível conhecer um pouco mais da história da exploração do ouro de aluvião na região, mediante agendamento prévio no Parque Estadual Intervales pelo email: pe.intervales@fflorestal.sp.gov.br
Abaixo alguns dos atrativos



Encanados (Evandro Monteiro)



  • Trilha dos Encanados
Esta trilha atravessa um trecho de mata primária, sendo possível observar os vestígios de escavações, contruções de encanados ao longo do rio e outras intervenções do ciclo do ouro, ao longo da trilha tambem é possivel observar importantes espécies vegetais e animais como o Mono-carvoeiro.


Tempo aproximado: Meio período
Nivel de dificuldade: Médio
Percurso: 4 km (ida e volta)

  • Casa Grande (Ribeirão Grande)
Este é um dos principais atrativos históricos da região, construída no final do século XVIII, feita em taipa por escravos. Recentemente passou por um processo de restauração e esta aberta a visitação diariamente, nela há um belo acervo de objetos ligados ao tropeirismo e a história local.
Horário de funcionamento: 08:00 ás 17:00 de Segunda a Sexta.
Localização: está localizada aproximadamente 1 km do centro de Ribeirão Grande, próximo a estrada de acesso ao Parque Estadual Intervales, sendo uma opção a mais para quem visita o parque.



Encanados (Evandro Monteiro)


Os Encanados de Ribeirão Grande

Os encanados são estruturas ou muralhas de pedras construídas nas margens dos rios e ribeirões onde eram feita a lavagem do ouro, são considerados a maior evidência da antiga exploração de ouro do período colonial deixada pelos antepassados na nossa região, embora grande parte dessas estruturas estejam desconhecidas, tomadas pela floresta muitas das vezes dando a impressão de nunca ter sido explorada antes. O material mais utilizado na construção eram blocos de diabásio, um material de alta resistência formado pela cristalização de magma vulcânico, bastante comum no curso desses rios, este tipo de rocha é conhecido popularmente como “Pedra Capote”, Durante o processo de construção das muralhas, as pedras eram sobrepostas uma sobre a outra levando em conta seu formato até formar uma muralha. Outros tipos de pedra como Filito e Quartzo, também foram empregadas na construção dessas estruturas, porém com menos freqüência, o tamanho das pedras utilizadas variavam de tamanho, desde pedras pequenas entre 1 a 10 kg até pedras de 200 kg como nas figuras abaixo.



  

   Encanados no Arraial Velho   

      

        















          

            
Fotos: Junior Intervales 


O dia a dia nas Minas do Paranapanema



Segundo dados históricos, a exploração do ouro nas Minas do Paranapanema teve ínicio por volta de 1721, ano em que Rodrigo Cézar Menezes foi nomeado o primeiro governador da Capitania de São Paulo, qual havia sido separada da Capitania do Rio de Janeiro alguns anos antes, provavelmente este acontecimento tenha impulsionado o inicio da exploração do ouro na região.   

Segundo alguns documentos do Arquivo do Estado de São Paulo a exploração de ouro na região durou até o final do século XVIII, tendo seu auge entre 1724 a 1733, decaindo gradativamente a partir deste período a medida em que os depósitos de aluvião foram se esgotando.

A exploração era feita por exploradores vindos de diversas partes do Brasil e até de Portugal, provavelmente nos primeiros anos a maior parte da população tenha se concentrado as margens do Ribeirão Velho, local denominado em vários manuscritos da época por Arrayal de Paranapanema, hoje atual Arraial Velho.

O Regimento

O principal interesse do Rei de Portugal era arrecadar os impostos, por isso a Coroa portuguesa tratou de agir buscando controlar aos poucos a região, criando um sistema de fiscalização nas Minas de Ouro, denominado "Regimento dos Superintendentes Guardas-Mores e Oficiais para as Minas de Ouro", esse sistema havia sido instituído pela Coroa Portuguesa em 19 de Abril de 1702, (logo após as grandes descobertas nas Minas Gerais), com o objetivo de estabelecer autoridade real na administração das atividades mineradora.


  • Guarda-mór


O guarda-mór era constituído como a autoridade máxima no cenário da mineração, amparado por leis rigídas denominadas "provisões", entre suas principais atribuições estava a divisão das datas de acordo com os descobridores e o número de escravos, e divisão da água, abaixo um trecho da "Provisão das Águas" de 1720:

"guardas-mores deveriam repartir as águas conforme a possibilidade dos que mineravam, e que ninguém poderia se apropriar da água dos córregos sem licença por escrito".


  • Superintendência das Minas de Ouro


É provavel que essa forma de regimento tenha sido implantado nas Minas de Paranapanema a partir de 1727, a medida em que houve um aumento na produção de ouro na região, a superintendência era uma repartição subordinada diretamente e exclusivamente ao governo de Portugal, independente de qualquer outra autoridade da colônia, sendo composta pelos seguintes cargos: Superintendente das Minas, Guardas-mór, Escrivão da Superintendência e Tesoureiro dos quintos, e suas atribuições eram de manter o ordenamento do clima conflitante do garimpo das minas, policiamento das zonas auríferas e de novas descobertas, distribuir as  “datas” (lote de terras onde era feito o garimpo),  e recolher os impostos da Coroa Portuguesa, denominados “reais quintos”.

A partir da criação desse regimento, qual ficou conhecido como “Superintendência das Minas do Paranapanema” o governo lusitano passou a exercer o total controle da região aurífera, monitorando novas descobertas, número de pessoas, escravos e a produção do ouro.



Superintendência das Minas do Paranapanema 






  • Intendência das Minas de Ouro

  • As Intendência das Minas de Ouro foram instituídas pelo Decreto de 28 de janeiro de 1/1736, no lugar das Superintendências, com a atribuição de arrecadar e fiscalizar a capitação, essa nova forma de regimento foi implantada a partir de 1736 na região, segundo alguns documentos da época refere-se a "Intendência do Ouro das Minas de Apiahy e Paranapanema", o que provavelmente tenha sido adotada uma que atendesse as duas minas, devido ao enfraquecimento da produção. 

    Nos primeiros anos, por volta de 1737 e 1738, essa intendência contava com o "Intendente da Capitação", o escrivão, o meirinho, o fiscal e o tesoureiro.






    A Tributação

    Para evitar o descontrole e o contrabando do ouro, o governo de Portugal proibiu a circulação de ouro em pó e em pepitas e autorizou a criação de novas Casas de Fundição em 1719. (Arquivo Nacional)

    • Registro do Ouro

    Segundo alguns documentos da época várias foram as formas de tributação  implantadas para a arrecadação do imposto e evitar os descaminhos do ouro encontrado na região, a primeira delas teria sido um sistema estabelecido em 1 de Outubro de 1718 e implantado na região em 1721, chamado de “registro de entradas” mencionado em alguns documentos como “Registro do Porto de Itapetininga”, por estar localizado na travessia do Rio Itapetininga, conhecido atualmente como Porto Velho de Itapetininga, local tido como o berço da fundação da cidade.

    Registro do Porto de Itapetininga 


    O sistema de registro de entradas do porto de Itapetininga funcionava como uma alfândega controlando a entrada de mineiros, escravos e animais que vinham em direção ao território das Minas de Paranapanema, era cobrado uma taxa fixa de entrada, e proibiam a passagem de pessoas que transportassem ouro sem a guia fornecida pelas autoridades, a arrecadação do tributo era feita normalmente por um contratador que pagava ao governo uma determinada quantia fixa dividido em parcelas em troca do direito de cobrar o imposto, esse sistema provavelmente teria sido ineficiente devido a longa distância entre o registro e a localização das minas.

    Segue abaixo um texto descrevendo as características e a estrutura dos registros:

    O registro ficava, normalmente, numa estrada regular, em um "vão de serra", "fecho de morros" ou desfiladeiro, próximo a um curso de água, que além de assegurar o abastecimento da repartição, retardava ou dificultava a passagem dos contribuintes. Os caminhos clandestinos eram vedados e vigiados por "guardas", postos com funções exclusivamente repressoras. Aliás, a Coroa estabeleceu também "áreas proibidas", entre as capitanias (especialmente nas fronteiras de Minas Gerais), nas quais não era permitido o trânsito ou a residência a quem quer que fosse. Restringia-se, assim, a possibilidade de descaminho. O pessoal dos registros se compunha de um Administrador (representante do Contratador), um Fiel (representante da Fazenda Real), um Contador e dois ou quatro soldados. Os prédios consistiam na "casa do registro", nas residências do fiel e do administrador, no quartel dos soldados, num rancho para os tropeiros contribuintes e num curral para os animais. A estrada era fechada por um portão com cadeado. O equipamento era mínimo: livros contábeis, cofre, balança com pesos, medidas para volumes, armas e utensílios domésticos. (http://www.receita.fazenda.gov.br/)


    Segundo o regimento de 9 de Novembro de 1724 ao guarda-mór do Arraial de Paranapanema Domingos Vicente Luiz, aponta o alferes João Lopes da Cunha como assistente no Registro do Porto de Itapetininga.
    • Quintos
    Por volta de 1727 com a implantação da "Superintendência das Minas de Paranapanema", a forma de arrecadação deixou de ser taxas fixas e passou a ser taxas variáveis denominada "Quintos". Por lei 1 quinto do ouro extraído deveria ser pago a Coroa Potuguesa como forma de imposto, essa forma de tributação também denominada "Quintos Reaes", foi um dos primeiros sistemas de arrecadação de imposto implantado nas Minas do Paranapanema.
    Nesse sistema todo ouro extraído deveria ser apresentado na Superintendência, onde era pesado, registrado no livro de registros do Superintendente, anotado o número de ordem, nome do proprietário, localidade e o peso do ouro, normalmente em oitavas.
    O proprietário também recebia uma guia assinada pelo superintendente a qual deveria ser apresentada na Casa da Fundição em São Paulo.  Os registros da Superintendência seriam comparados com os da Casa de Fundição futuramente para fins de fiscalização.
    Abaixo segue uma cópia do Registro do Ouro da Superintendência das Minas de Paranapanema assinada pelo Superintendente Leandro Rodrigues Fortes:

    Lista do Ouro (Arquivo do Estado SP)

    Transcrição:


    Lista do Ouro q sahio destas Minas de Paranapanema no mês de Novembro de 1732

    N. 618           Afonso Dias de Macedo andante                    120
    N. 619           Antonio Marques destas Minas                         4
    N. 620           Salvador Domingues andante                          82
    N. 621           O Dito mays..........................                            12
    N. 622           Andre Vieira destas Minas                                10
    N. 623           Manoel da Fonseca destas Minas                    55
                                                                                             283 (Quantidade total em oitavas)


    Convertendo 283 oitavas por gramas descobrimos que a produção de ouro das Minas do Paranapanema do mês de Novembro de 1732 foi de 1.003,68 gramas.
    Abaixo segue uma tabela com as unidades de medidas usada durante o período colonial:

    Marco
    229,4784 gr
    Onça
    28,6848 gr
    Oitava
    3,5856 gr
    Escrópulo
    1,1952 gr
    Quilate
    199,20 mg
    Vintém-de-Ouro
    112,05 mg
    Grão
    49,8 mg


    Recibo de entrega de ouro na Casa de Fundição de São Paulo de 1790 (Secretaria da Fazenda)




    Casas de Fundição

    As casas de fundição foram os primeiros órgãos responsáveis pela arrecadação dos tributos sobre a atividade mineradora no Brasil. A primeira Casa de Fundição foi estabelecida em São Paulo, por volta de 1580, para fundir o ouro extraído das minas do Jaraguá e de outras jazidas nos arredores da vila.

    O ouro lavrado por cada minerador tinha que ser  encaminhado às casas de fundição e fundidos em barras,nesse processo era feita à dedução de 20% destinados à Coroa portuguesa. As barras fundidas recebiam, através de punções, as armas de Portugal, o nome ou as iniciais da casa de fundição e, no reverso, a esfera armilar. Também traziam o número da ordem, a data de fundição e o toque ou quilate, além do peso. 

    Juntamente com o ouro fundido o proprietário recebia um certificado com todos esses dados, que deveria acompanhá-lo daí em diante, comprovando a sua legitimidade. As Casas de Fundição eram compostas por um Provedor, auxiliado por Escrivães, fundidores, ensaiadores, cunhadores, meirinhos, tesoureiros e fiscais. Estes últimos eram nomeados por indicação das Câmaras Municipais.

    Barra de ouro quintada




    Certificado do ouro quintado da Casa da Fundição de São Paulo de 1790 (Secretaria da Fazenda)


    Relatório do ouro fundido e quintado na Casa da Fundição de São Paulo em 1808 (Secretaria da Fazenda)







    Governo

    Para se entender melhor a era colonial fiz uma tabela com os principais personagens que comandaram a nossa região durante a fase da mineração do século XVIII.

    A Capitania Real de São Paulo, como era chamada, foi criada pelo Rei de Portugal Dom João V no dia 2 de Dezembro de 1720, a partir da divisão da antiga "Capitania Geral de São Paulo e Minas do Ouro" a qual abrangia os estados do Mato Grosso, Goias, Paran e Minas Gerais´. seu primeiro governador foi Rodrigo César de Meneses.






    Governadores da Capitania Real de São Paulo


    Rodrigo César de Meneses5 de setembro de 1721 — 15 de agosto de 1727
    António da Silva Caldeira Pimentel15 de agosto de 1727 — 15 de agosto de 1732
    António Luís de Távora15 de agosto de 1732 — 1 de dezembro de 1737
    Gomes Freire de Almeida (interino)1 de dezembro de 1737 — 12 de fevereiro de 1739
    Luís de Mascarenhas12 de fevereiro de 1739 — maio de 1748
    Luís Antonio de Souza Botelho Mourão22 de julho de 1765 — 14 de junho de 1775
    Martim Lopes Lobo de Saldanha14 de junho de 1775 — 15 de março de 1782
    Francisco da Cunha Meneses16 de março de 1782 — 4 de maio de 1786
    José Raimundo Chichorro da Gama5 de maio de 1786 — 5 de junho de 1788
    Bernardo José Maria Lorena e Silveira5 de junho de 1788 — 28 de junho de 1797
    Antonio Manuel de Melo e Castro de Mendonça28 de junho de 1797 — 10 de dezembro de 1802
    Antonio José da Franca e Horta10 de dezembro de 1802 — outubro de 1808
    Mateus de Abreu Pereira
    Miguel António de Azevedo Veiga
    José Maria do Couto
    outubro de 1808 — 26 de agosto de 1813
    Mateus de Abreu Pereira
    Nuno Eugénio de Lossio
    Miguel José de Oliveira Pinto
    26 de agosto de 1813 — 8 de dezembro de 1814
    Francisco de Assis Mascarenhas8 de dezembro de 1814 — 25 de abril de 1819
    João Carlos Augusto Von Oyenhausen-Gravenburg25 de abril de 1819 — 23 de junho de 1821


    Em 9 de maio de 1748 a Capitania de de São Paulo é administrativamente extinta por carta régia e seu território é anexado à Capitania do Rio de Janeiro. Em 6 de janeiro de 1765, novamente por deliberação real, a Capitania de São Paulo é restabelecida.



    Reis que governaram a partir da colonização na nossa região


    D. João V1 de Janeiro de 1707 — 31 de Julho de 1750
    D. José I31 de Julho de 1750 — 24 de Fevereiro de 1777
    D. Maria I24 de Fevereiro de 1777 — 20 de Março de 1816
    D. João VI20 de Março de 1816 — 10 de Março de 1826




    Fontes:
    Arquivo do Estado de São Paulo
    Arquivo Nacional do Rio de Janeiro
    Wikipedia
    http://www.receita.fazenda.gov.br/




    O Complexo Arqueológico dos Encanados do Ribeirão Velho (Minas do Paranapanema)

    Considerado um dos mais importante sitio arqueológico da região, o Complexo Arqueológico do Ribeirão Velho é constituído por inúmeras intervenções características da mineração colonial do século XVlll, construídas durante a exploração do ouro, localizados na bacia do Rio das Almas principalmente na micro-bacia do Ribeirão Velho entre o Parque Estadual Intervales e a Estação Ecológica de Xitué, dentre as principais intervenções construídas estão, os desvios de rios, encanados, catas, canais, barragens, caminhos de acesso e minas subterrâneas, estarei postando mais detalhes a respeito de cada uma delas assim que possível.
    • Desvios do leito do rio
    Eram basicamente contruídos com a finalidade de mudar o leito do córrego, permitindo aos mineiros escavar a camada de material acumulada no fundo.


    Desvio de um pequeno córrego


    Abaixo uma ilustração do desvio de um rio feita por escravos

    Desvio de um rio (John  Mawe)

    • Minas subterrâneas
    São escavações subterrâneas em formato de tunel feitas para extração de material a ser lavado nos rios.


    Minas escavadas próximas de um córrego (Fotos: Junior Intervales)


    Segue abaixo uma obra de Rugendas, onde mostra passo a passo o processo da mineração colonial, em destaque a lavagem do ouro e o transporte do materials escavado nas minas.

    Lavagem do Ouro (Rugendas)

    terça-feira, 4 de março de 2014

    Tipos de jazidas

    É comum ouvir falar a respeito do ouro de aluvião, mas afinal de conta como eram os depósitos aluvionais das Minas de Paranapanema do século XVIII? 

    A exploração de ouro no período colonial se dividiam basicamente em dois tipos de jazidas, depósitos primários e depósitos secundários

    Exploração de jazidas primárias ou filões - é caracterizado pela exploração do subsolo ou seio das montanhas onde o ouro encontra-se associado a outras rochas (também denominadas "rochas auríferas") como o quartzo. Esse tipo de exploração era feito através de escavações de túneis e galerias de pouca profundidade e comprimento, uma vez que os mineradores não dispunham de processos de escoramentos, drenagem ou ventilação suficiente para realizar essa técnica. 

    Exploração de jazidas secundárias ou aluvionais - é caracterizado pela exploração nos leitos, margens e encostas dos rios, subdividido basicamente em três métodos:  


    • Faisqueiras: jazidas encontradas no leito dos rios e córregos,  essas jazidas são originárias da decomposição da rocha matriz (depósitos primários), sendo transportada pouco a pouco pela constante ação da água, trazendo o ouro para fora da rocha matriz e depositando no leito dos rios ou ribeirões, esses depósitos podiam ser facilmente encontrado na superfície do leito dos rios, com pouco trabalho era possível maior produção devido a sua abundância. 
    • Tabuleiros: jazidas encontradas nas margens dos rios e córregos, tinham a mesma origem das faisqueiras, sua exploração era feita basicamente por escavações as margens dos rios conhecido também por Catas.
    • Guapiaras ou Grupiaras: jazidas encontradas nas encostas dos morros, antigos leitos e margens dos rios e ribeirões, acima dos tabuleiros onde há depósitos de cascalho, esse tipo de depósito correspondem ao sedimento aluvional acumulado quando o rio ainda cavava o seu leito numa altura superior.



    Depósitos 

    domingo, 2 de março de 2014

    A Sociedade mineira do Arraial de Paranapanema

    A colonização do Vale do Ribeira e os municípios de Capão Bonito, Guapiara e Ribeirão Grande tiveram suas origens na mineração colonial do século XVIII, mas também não podemos esquecer que o fluxo de Tropas de muares vindas do Sul rumo as feiras de Sorocaba, tiveram uma grande influência na cultura e na economia da região. A noticia da descoberta do ouro alcançou o velho continente atraindo pessoas de diferentes partes do Brasil e do mundo em busca de riquezas, esse público desbravador das florestas montanhosas da Serra de Paranapiacaba dividia-se basicamente em dois diferentes grupos de pessoas, o lado técnico que correspondia aos mineradores de lavras  e os mineiros de faiscação que era o lado sócioeconômico.

    • As lavras eram as extrações de grande porte, as quais exigiam maior investimento de capital, eram estabelecimentos fixos, (arraiais) dispondo de mão de obra escrava e algumas ferramentas, neste tipo de mineração eram empregadas várias técnicas como construções de canais, aquedutos, pequenas minas subterrâneas entre outras exigindo um certo conhecimento do assunto. A lavra foi o tipo de extração mais freqüente na fase áurea da mineração.

    Escravos  nas lavras (Lavagem do Ouro - Rugendas)

    • A faiscação ou faisqueira eram pequenas extrações, feitas por homens livres nômades, e de poucos recursos que excepcionalmente poderia contar com ajudantes, era uma atividade realizada normalmente nas areias dos rios ou riachos, esse trabalho era realizado basicamente com uso de bateias. Há indícios de que a faiscação tenha permanecido até meados do século XIX na nossa região.

    Ilustração faiscadores

    Faicadores de Ouro, 1938 (Portinari)





    quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

    Tropeiros e as Feiras de Muares de Sorocaba



    • Principio

    Com certeza o comércio de muares trazidos do Sul foi a maior atividade econômica do século XVIII e XIX, na região Sul do Brasil, mais precisamente entre 1750 e 1850, durante esse período acredita-se que mais de 1 milhão de muares foram trazidos do estado do Rio Grande do Sul rumo a cidade de Sorocaba, onde acontecia a famosa Feira de Muares.

    Para entender melhor a história do tropeirismo é preciso voltar no principio da colonização, de onde e como surgiram os muares que passaram pela nossa região rumo as feiras de Sorocaba?

    Com a chegada dos Espanhóis na região do Rio da Prata na Argentina  no século XVI, foram introduzido os primeiros cavalos oriundos da península Ibérica, juntamente com outros animais domésticos, os quais se adaptaram perfeitamente as condições das planícies argentinas, uruguaias se extendendo até o estado do Rio Grande do Sul.

    Segundo os dados históricos Don Pedro de Mendoza, primeiro fundador da cidade de Buenos Aires, onde se estabeleceu no ano de 1536, foi o responsável pela introdução dos primeiros 72 cavalos na região. Devido a certas dificuldades como falta de alimento e uma série de ataques dos nativos da região, os colonizadores foram obrigados a partir de Buenos Aires, deixando lá 5 éguas e 7 cavalos. Estes animais, começaram a se reproduzir em liberdade, num processo de seleção natural formando rebanhos de milhares de animais selvagens. Com o passar do tempo os índios aprenderam a domesticar esses animais e desenvolveram técnicas de trançado em couro cru para confecção de objetos, como laços, rédeas, chicotes entre outras.
    Esses povos que eram uma mistura de índios com espanhóis passaram a ser chamados de “gaúcho”, e viviam basicamente da lida dos rebanhos de bovinos e equinos selvagens.

    Com a oferta de animais espalhados pelas planícies, e a necessidade de meios de transporte e trabalho em outras regiões da América Espanhola e Portuguesa, surgiu então a oportunidade de se produzir um animal mais rústico para trabalho, quais são as mulas, oriundo do cruzamento de um equíno com um asinino.


    • Abertura da estrada

    A partir das grandes descobertas de ouro em Minas Gerais, São Paulo, Goias e Mato Grosso, o rei de Portugal sabendo da grande oferta de animais na região Sul e a demanda nas Capitanias da região sudeste (São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro), teve a idéia de se construir uma estrada ligando o Sul do Brasil a Capitania de São Paulo trazendo tropas de muares para atender a demanda do mercado na região, também aproveitou a oportunidade de se cobrar os impostos sobre esses animais. 
    português Cristóvão Pereira Abreu foi encarregado de abrir a estrada, ligando o Rio Grande de São Pedro do Sul (atual Rio Grande do Sul) até a cidade de São Paulo, trabalho que durou aproximadamente 3 anos, partindo do Sul da Colônia de Sacramento com 3.500 animais e 132 homens chegando em São Paulo em 1733.  


    Carta do Rei de Portugal ao Governador de São Paulo (biblioteca UNESP)


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    Segue abaixo relato do naturalista Auguste Saint-Hilarie, durante sua passagem por Sorocaba em 1820:

    Não é, de resto, a agricultura que constitui a riqueza de Sorocaba, sim o comércio de muares ainda não domesticados, comércio de que a cidade é, verdadeiramente, o entreposto. Esses animais provêm da província do Rio Grande e são trazidos a Sorocaba em numerosas tropas por mercadores do Sul. Essas tropas (manadas de bestas bravas)
    põem-se em marcha pelos meses de setembro e outubro, na ocasião em que as pastagens começam a reverdecer. Vários mercadores transportam suas tropas sem nenhuma interrupção, e as mesmas chegam a Sorocaba pelos meses de janeiro, fevereiro e março; outros deixam-nas rvípousar durante todo um ano nos arredores de Lages, cidade da província de Santa Catarina, e só depois desse longo intervalo de tempo fazem-nas atravessar o Sertão, imenso deserto coberto de matas, onde não há habitantes nem pastagens (479). Os mercadores de Minas Gerais vêm a Sorocaba comprar muares, conduzindo-os a seu Estado, onde os fazem domar. Anos houve em que vieram do Rio Grande a Sorocaba até 20.000 muares; em 1818, vieram apenas 18.000, pelo que o respectivo preço teve o aumento de um terço. Esse comércio rendia ao governo elevadas importâncias, porque pagavam-se em Sorocaba 3$500 (21 frs. 87 CS.) por muar proveniente do Sul (1820). Sobre essa quantia, 1$000 destinados à província do Rio Grande eram recolhidos pela alfândega (registo) de Santa Vitória, pertencente àquela província e situada em seu limite extremo, próximo à fronteira de São Paulo; mas, para facilidade do comércio, permitia-se que essa parte do imposto fosse, como a parte restante, paga em Sorocaba. Em Santa Vitória os mercadores recebiam uma permissão de trânsito (guia), com o número de animais que traziam, deixando no registo um documento de obrigação sobre o montante do imposto que teriam de pagar. Esse documento era feito em triplicata — uma das vias era enviada à administração do Rio Grande, porque era, como acabei de dizer, em proveito dessa província que essa parte do imposto era arrecadada ; a segunda via era remetida ao recebedor de Sorocabaj e a terceira à junta do tesouro (junta da fazenda real), em São Paulo, precaução tomada para que não houvesse fraude, quer de parte do mercador, quer de parte do arrecadador do imposto.
    Este remetia as importâncias recebidas à junta de São Paulo, a qual entendia-se com a do Rio Grande. Sobre os 2|500 recebidos em Sorocaba, além dos 1$000 a que acabo de me referir, metade, denominada direitos do contrato era posta de reserva de três em três anos, e recolhida à conta do vendedor (480). Os 1$250 restantes tinham o nome de direitos da casa doada. Este último imposto foi criado, originariamente, em proveito de quem abriu a estrada de São Paulo ao Sul; posteriormente, porém, foi atribuído ao tesouro público, fazendo parte das rendas da província, por conta da qual era diretamente recebido (481). Os direitos de 3$500, ou 21 frs. 87 es., por muar, parecerão, não resta dúvida, assaz elevados ; mas não era tudo : os animais sobre os quais esse imposto era arrecadado, estavam sujeitos ainda a novos impostos, quando entravam na província de Minas Gerais. Os muares são, em imensa parte do Brasil, os únicos meios de transporte; sobrecarregá-los com tantos impostos prejudica, certamente, o comércio e a agricultura, que, no país, tanto necessitam, de encorajamento. Seja como for, resulta do quadro das finanças da província de São Paulo para o exercício de 1813, que nesse ano, entraram em seu território 20.525 muares; sabemos que, nos anos imediatamente precedentes a 1818, foram introduzidos 30.000; e, finalmente, em 1838, a introdução elevou-se a 32.747. Esses dados são, não resta dúvida, pouco numerosos; entretanto, se os números de 1813 e de 1838 não são excepcionais, tenderiam a provar que a necessidade de muares fez-se sentir cada vez mais no espaço de 25 anos, e que, consequentemente, as produções agrícolas tornaram-se de mais em mais avultadas, tendo se cultivado, gradativamente, maiores extensões de terras.

    Trecho do caminho no estados de São Paulo qual foi utilizado pelos tropeiros vindos do Sul rumo as feiras de muares de Sorocaba.






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